A primeira edição do Super Research in Finance (SuRF), realizada nos dias 21 e 22 de maio, reuniu pesquisadores, docentes e estudantes de diferentes países para discutir temas de fronteira nas áreas de econometria, engenharia financeira e matemática financeira e computacional. Sediado pela Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp), o encontro reforçou a inserção internacional da instituição e colocou o Brasil no centro de debates acadêmicos sobre finanças quantitativas.
Com uma programação voltada à pesquisa avançada, o evento promoveu palestras e minicursos sobre temas como problemas acidentais de liquidez, modelos de mistura em quantis e outros desafios contemporâneos da área. As atividades foram conduzidas por especialistas de instituições dos Estados Unidos, Suíça, França, Espanha, Inglaterra e Emirados Árabes Unidos.
Para Wenceslao González-Manteiga, professor da Universidade de Santiago de Compostela (USC), na Espanha, e um dos palestrantes convidados, a conferência evidenciou a relevância da integração entre finanças e pesquisa científica. “É um encontro que está muito relacionado com aspectos da nossa vida financeira, que se encontram com temas mais científicos, se tornando bastante necessário no mundo atual”, afirmou.
Segundo o pesquisador, a troca de experiências proporcionada por encontros presenciais segue sendo fundamental para o avanço do conhecimento. “Mesmo com o avanço dos meios de comunicação, a conexão proporcionada por eventos presenciais e internacionais como o SuRF é essencial”, destacou.
Organizado pela FGV EMAp em parceria com a EPGE Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE), o evento nasceu da aproximação entre pesquisadores que atuam em diferentes áreas do conhecimento, mas compartilham interesses comuns relacionados aos mercados financeiros e aos métodos quantitativos. A iniciativa foi idealizada a partir da colaboração entre Marcelo Fernandes, professor da Escola de Economia de São Paulo FGV EESP, Yuri Saporito, docente da FGV EMAp, e Raul Riva, professor da FGV EPGE.

Foto: FGV EMAp
A proposta surgiu da percepção de que discussões tradicionalmente separadas entre economia, matemática financeira e econometria poderiam convergir em um mesmo ambiente acadêmico. O nome SuRF faz referência tanto ao universo da pesquisa quanto à identidade do Rio de Janeiro, cidade anfitriã do encontro.
Além de fomentar o debate científico, a conferência criou oportunidades de networking e intercâmbio acadêmico. Estudantes da FGV EMAp puderam interagir diretamente com pesquisadores de referência internacional, ampliando contatos e conhecendo novas abordagens para desafios de pesquisa.
Foi o caso de Lucas Posern, aluno da Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, que participou do encontro por recomendação de seu orientador. Segundo ele, o evento possibilitou o contato direto com pesquisadores cujos trabalhos serviram de base para suas próprias investigações acadêmicas. “Foi uma oportunidade de estar em contato com este autor, além de poder conversar com pessoas de lugares e formações diferentes”, relatou.
Para Lucas, a diversidade de perspectivas foi um dos principais diferenciais da conferência. “Vemos pessoas apresentando e mostrando quais dificuldades estão enfrentando no momento, então alguém de outra área chega e diz: ‘Ei, eu tenho uma solução para isso’ ou até uma nova abordagem, e isso é muito importante”, afirmou.
De acordo com Yuri Saporito, a experiência contribui diretamente para a formação dos estudantes. “Os estudantes aprofundam os conhecimentos desenvolvidos nas disciplinas e passam a enxergar o impacto da pesquisa em problemas econômicos e financeiros. Isso agrega aos alunos a experiência de visualizar que as pesquisas desenvolvidas aqui têm relevância no mundo”, destacou.
A realização do SuRF integra a estratégia de internacionalização da FGV EMAp e complementa iniciativas já consolidadas, como o Research in Options (RiO), fórum internacional dedicado à interseção entre matemática e finanças. A expectativa é que a nova conferência contribua para ampliar a visibilidade internacional das pesquisas desenvolvidas na instituição e fortaleça uma comunidade científica em expansão.
Para Marcelo Fernandes, o encontro demonstrou o potencial de crescimento da iniciativa. “Toda comunidade científica começa pequena e vai crescendo à medida que as pessoas ocupam espaços na vida acadêmica, fortalecendo uma comunidade que já é bastante unida. Temos que aproveitar oportunidades como essa para trazer mais pessoas, para entender o que fazemos aqui e o que é produzido lá fora”, concluiu.